06 Janeiro 2012

Um olhar para o passado – esperança ou nostalgia pecaminosa?

liberte-se_do_passado1A onda “retrô” parece ter vindo para ficar. Desde camisas de times de futebol até aparelhos de TV, os designs antigos acabam por reavivar a memória de tempos de outrora.

A lembrança do passado é algo normal. O problema reside em como ele é encarado.

Há muitas pessoas que vivem imersas em meio a problemas, lutas e provações e que já assumiram, como se pudessem prever o futuro, que se a situação mudar certamente será para pior. Pessoas assim tendem a olhar para o passado em busca de um momento feliz ou de um período em que gozaram de alegria e acabam, muitas vezes, querendo “repetir” o que era a sua vida em outros tempos achando que com isso experimentarão novamente paz e alegria.

Essa forma de olhar para o passado é o que chamo de nostalgia pecaminosa. Afirmo que é uma nostalgia pecaminosa porque leva a pessoa:

       1) A desconsiderar tudo o que o Senhor já efetuou desde aquele momento até o presente;

       2) A viver murmurando, pensando em como a sua vida era boa em comparação com o atual estado;

       3) A viver sem a esperança de novamente gozar de paz e alegria;

       4) A não reconhecer que o Senhor dirige a sua vida e que nada foge a seu governo Soberano em que ele cumpre a sua vontade sempre boa, agradável e perfeita.

Por outro lado, a Escritura nos estimula a considerar, sim, o passado. Podemos começar olhando para o Salmo 126. O escritor certamente passava por momentos de aflição, o que é verificado diante do seu pedido: “Restaura, Senhor, a nossa sorte” (126.4). Perceba que antes do pedido o salmista relembra o passado: “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo; então entre as nações se dizia: Grandes coisas fez o Senhor por eles. Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres” (126.1-3).

O salmista não olha para o passado e começa a murmurar dizendo: “Como era bom naquele tempo em que o Senhor era conosco, agora só temos problemas e dificuldades.” Não! A lembrança dos grandes feitos de Deus no passado fornecia esperança ao salmista no tempo de tribulação e confiança no Deus que continuava dirigindo a sua história.

Podemos nos lembrar ainda da história de Davi. Quando ainda nem era o rei de Israel e presenciou Saul e todo o exército de Israel temerosos e espantados diante de Golias (1Sm 17.11, 24), dispôs-se a lutar com o gigante (1Sm 17.32). Ao ouvir de Saul que ele não poderia pelejar contra o gigante, contou ao rei que quando apascentava as ovelhas do seu pai, um leão e um urso foram tomar as ovelhas do rebanho e ele matou tanto um quanto o outro. Logo depois disso afirmou: “O Senhor me livrou das garras do leão e do urso; ele me livrará das mãos deste filisteu” (1Sm 17.37). Quando olha para o passado, Davi não pensa: “Como eu queria voltar àquele tempo. Os problemas lá eram tão menores, não havia um gigante, somente um leão e um urso e tudo era mais fácil.” Em vez disso, a lembrança do passado e daquilo que o Senhor fez por meio dele foi o que deu confiança a Davi para sair à peleja contra Golias.

De igual modo Jeremias, ao ter a visão do cativeiro e do sofrimento que o povo enfrentaria, sofrimento este vindo do próprio Deus que iria tratar o pecado do povo que havia quebrado os termos da Aliança, exclamou: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.21-23). Não há nos lábios do profeta uma palavra de desânimo, mas a lembrança do passado faz com que ele contemple com esperança as misericórdias do Senhor, que continuariam sobre o povo da Aliança, por causa da fidelidade de Deus às suas promessas.

Diferente da nostalgia pecaminosa, olhar para o passado da forma como a Escritura orienta nos traz esperança. Não é à toa que a Ceia do Senhor, que nos fornece a esperança de dias melhores na vinda do Senhor, nos remete primeiro ao passado, à cruz do Calvário, onde o Senhor derramou sua vida em resgate do seu povo.

O Deus que dirigiu a nossa história no passado continua soberanamente governando a nossa vida no presente. Diante disso, podemos confiar que até mesmo os momentos de dor e sofrimento são ferramentas de Deus para conformar a nossa vida à vida do nosso Redentor.

Com essa convicção, você pode cantar o que o poeta sacro escreveu de forma tão bela em uma das estrofes do hino “Direção Divina”: “As tuas mãos dirigem meu destino, acasos para mim não haverá! O grande Pai vigia o meu caminho, e sem motivo não me afligirá! Encontro em seu poder constante apoio, forte é seu braço, insone o seu amor; por fim, entrando na cidade eterna, eu louvarei meu Guia e Salvador.”

Sobre os anônimos

Entendedor-Anonimo

Desde que comecei o blog recebo comentários elogiando, concordando, discordando e sempre procuro publicar todos, afinal, da mesma forma que tenho liberdade para crer no que quero, aqueles que leem o blog têm para discordar do que escrevo.

Contudo, algo que sempre me incomoda é o tal do “comentário anônimo”. O último que recebi, no texto sobre a Cris Poli, dizia simplesmente: “Pai perdoa esse homem porque não sabe o que diz”.

Reservo-me ao direito de não publicar críticas anônimas. Quem faz crítica anônima só as faz por estar “escondido”, e nesta posição é fácil dizer que alguém está errado simplemente afirmando isso, sem apresentar nenhum argumento.

Se você é um leitor que discorda do que é dito aqui, sinta-se à vontade para enviar suas críticas, com sua argumentação. Sempre vou interagir com pessoas que discordam respeitosamente de mim. Porém, se quiser ficar no anonimato, não perca seu tempo enviando comentários, pois como já afirmei, não serão publicados.

28 Dezembro 2011

A descrença nas Escrituras; ou: Cris Poli, uma evangélica que não conhece a Bíblia

Cris Poli tem sido celebrada no meio evangélico como uma excelente educadora. Sua fama com o programa Supernanny e a “descoberta” de que ela é evangélica foram suficientes para que várias igrejas a convidassem para dar palestras. Aqui mesmo, na grande Vitória, ela já esteve em uma igreja.

Sem entrar no mérito questionável da sua proposta educativa, que ensina os pais a fazerem trocas com os filhos, quero chamar a atenção ao que ela respondeu a uma revista evangélica aqui do estado quando foi questionada sobre a lei da palmada:

“Eu não acredito em palmada educativa. Ela é uma invenção que não sei de onde saiu, acho que veio para justificar o fato de bater na criança e que foi colocado como um processo de educação. Bater não educa. Eu não sou a favor de bater [...] E essa palmadinha educativa é muito relativa, afinal, como você regula ou administra o que é educativo e o que não é, o que é espancar e o que é bater de ´levinho´... (grifo meu).

Eu vejo que bater, mesmo que seja a tal palmada pedagógica, é uma coisa violenta, por mais que os pais digam que não faz mal, ninguém gosta de receber um tapa, nem mesmo um adulto”.

Os evangélicos têm a Bíblia como regra de fé e prática e, sendo uma evangélica, Cris Poli deveria conhecer muito bem as Escrituras, que afirmam:

· “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 3.24);

· “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Pv 19.18);

· “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv 22.15);

· “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv 23.13,14);

· “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29.15);

· “estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és eprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos. Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos? [...] Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça” (Hb 12.5-9;11)

Quem “inventou” a disciplina física, pelo que vemos, foi o próprio Senhor, e nesses versículos podemos perceber que:

1. A disciplina física é, muitas vezes, necessária quando a criança é estulta;

2. Disciplina física não é violência. A Bíblia proíbe o excesso;

3. Não disciplinar os filhos é deixa-los entregues ao próprio coração;

4. A disciplina física não é para extravasar a ira dos pais, mas para chamar a criança à consciência, para que ouça o ensino;

5. A disciplina não é algo que traz alegria, no momento em que é aplicada, nem para os pais que amam os filhos, nem para os filhos que não entendem muitas vezes que aquilo será para o seu próprio bem, mas ao longo do tempo produz resultados.

É óbvio, como afirmou Cris Poli, que ninguém gosta de receber um tapa. A própria Escritura afirma que a disciplina física não é prazerosa, como foi expresso acima, mas nem por isso a desestimula, antes adianta qual será o seu resultado: fruto de justiça. A disciplina física não é prazerosa justamente porque não é um prêmio a se receber, mas a consequência da desobediência de alguém que não deu ouvidos à repreensão.

O argumento da educadora, se levado às últimas consequências, deveria ser usado para livrar marginais da cadeia, afinal de contas, por mais errado que esteja quem praticou um delito, quem gosta de ficar trancafiado?

É por isso mesmo que Paulo, tratando sobre autoridades instituídas por Deus, afirma: “Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás o louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para o teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal” (Rm 13.3,4).

Antes que alguém me acuse de forçar o texto, reconheço tranquilamente que aqui Paulo está tratando de autoridades civis, entretanto, o princípio permanece. Aqueles que resistem à autoridade resistem ao próprio Deus e, por isso, acabam colhendo as consequências. Sendo os pais as autoridades constituídas por Deus sobre a vida dos filhos, não devem, em hipótese alguma, deixar de cumprir aquilo que o Senhor estabelece com relação a sua educação.

Dito isso, volto então à entrevista. Ao mesmo tempo em que diz não saber de onde tiraram a ideia de “palmada pedagógica” e afirmar que ela não funciona, Cris Poli defende o método do “cantinho da disciplina”. O método, segundo ela, consiste em colocar a criança desobediente no

“cantinho da disciplina, que é um lugarzinho qualquer onde ela vai sentar e refletir sobre essa regra que ela não cumpriu. E fica lá um minuto por ano de idade, porque a gente não pode exigir da criança uma coisa que ela não pode dar. Não adianta dizer que vai ficar meia hora ou uma hora, porque isso não vai funcionar. [...] É um método que dá certo e é feito com tranquilidade, consciência e firmeza” (grifos meus).

A pergunta que fica no ar é: “De onde saiu essa invenção?”, porém, não farei como a Supernanny que afirmou não saber de onde tiraram a ideia da “palmada pedagógica”. Não! Eu sei bem de onde saiu essa invenção do “cantinho da disciplina”, foi das ideias da psicologia secular que, infelizmente, para muitos crentes, tem mais autoridade e mais a ensinar sobre a criação de filhos do que a própria Palavra de Deus. E aqui está o problema que dá origem a tudo isso: Muitos cristãos, apesar de afirmarem ser a Escritura a Palavra de Deus, na prática demonstram não crer desta forma.

Quando esses cristãos começarem a colocar em prática o seu discurso perceberão que, de fato, “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda a boa obra” (2Tm 3.16,17) e que “pelo seu [de Deus] divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele [Cristo Jesus] que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2Pe 1.3).

Somente depois disso é que entenderão a razão de Salomão poder afirmar com tanta convicção: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6).

O Senhor sabe como você deve educar o seu filho e deixou registrado em sua Santa Palavra! Creia nisso e procure conhecer as Escrituras.